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terça-feira, 17 de abril de 2012

Paranoia

Não é coisa das mais fáceis ser admitido em certos grupos, também não o é entrar em contato em certos ambientes com as pessoas o mais normais possível, bem sei disso. Elas são muito desconfiadas das intenções alheias. Parece que o outro sempre possui algo maléfico, querendo nos subjulgar com palavras e ações. Numa cidade pequena, onde quase todos conhecem quase todos, nos sentimos mais seguros para tomar contato, já que nossos "conhecidos" nos protegeriam de qualquer coisa. Numa cidade grande todo desconhecido é, em princípio, um malfeitor. Estereotipagem minha? Quem sabe? Julgue quem puder julgar todos os âmbitos relacionados ao que escrevo.

sábado, 14 de abril de 2012

Doença ou mal-estar?

Se engana quem acha que o tempo está passando mais rápido. Como isso poderia acontecer? O tempo é psicológico, pois uma hora pode durar mais ou menos dependendo de nós. Uma hora no dentista não passa de jeito algum, já uma hora com as pessoas de quem gostamos é coisa que passa e não vemos, literalmente.
Mas por que o tempo, achamos, está passando mais rápido? A coisa é mais simples do que se pensa, pois hoje faço mais coisas que fazia antes, durmo menos, trabalho mais, estudo mais...
Antigamente eu sabia que cada coisa viria em sua época certa, que eu não precisava ter pressa. Só que as coisas mudaram. Às vezes penso que vou morrer amanhã. Não é só isso. Tem tanta coisa me cercando, tanta coisa nova, tanta gente usando essas coisas...Não admito que eu não as tenha. Preciso trabalhar e ter essas coisas. Elas vão trazer felicidade para mim, já que não encontro felicidade com mais nada. Esse nosso mundo é tão competitivo...
O que mais me deixa saudoso são as pessoas que não vejo agora e com quem gostaria de estar.
Existe uma pílula para me deixar alegre, outra para me fazer dormir, outra para fazer com que eu não fique em pânico quando estiver em meio a outras pessoas. Estou doente ou apenas com um mal-estar, coisa passageira? A doença é tratada pelo médico, pois é coisa que diz respeito à nossa saúde física. Mas e o mal-estar?
Eita esses males da alma...!

Sonhei com meu amor essa madrugada

Eram 03:30 da manhã e acordei eufórico. Sonhei com um antigo amor... Antigo ou não, um amor. O sonho foi louco, como todos os sonhos o são, mas foi tão real, tão imaginativo, tão fantástico.
Acordei, tinha dormido pouco tempo antes, esfreguei os olhos, não consegui mais pregá-los.
Fiquei escrevendo...
A escrita escondida é sempre a melhor. O melhor de você fica consigo, ou com uma pessoa escolhida.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Encare tudo como teatro": que é isso?

Sabe essa cena aí em cima? É do Hamlet. Bom, essa cena não está descrita na peça: "Agora Hamlet pega uma caveira, olha profundamente para ela, suspira e diz: "Ser ou não ser"... bla, bla, bla.
Vai ler a obra que você descobrirá que não tem nada disso.
O que eu queria dizer mesmo, e ainda não disse, é claro, é que existem muitos Hamlets: "Sabe o porquê de existirem tantos Hamlets? É que se trata de uma peça de teatro essa história, e no teatro basta você pegar o texto e encenar, qualquer um pode fazer isso. Experimente qualquer dia, faz bem para a "alma" (não queria usar essa palavra, mas acho outra não)."
O que aqui se escreve não são coisas da minha vida, em geral, pode ser, nem coisas com as quais eu concorde.
Agora vê se entende que "encare tudo como teatro"...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Redes sociais e mundo social

Algum tempo atrás, não muito tempo, pouco, eu conversava com uma pessoa que conheço de vista em uma cidade pequena. Bom, nunca fomos apresentados formalmente, nunca havia trocado com ela uma palavra sequer, mas eu a vi no Facebook. Achei interessante adicioná-la ao meu rol de amigos, e o fiz. Ela me adicionou no MSN, e eu aceitei. Começamos a conversar do nada, conversamos mais, e mais, e mais. Falávamos de tudo e de nada: sobre a cidade, sobre o clima, sobre as pessoas, sobre nossas vontades... Algum tempo depois a vi na rua, fui conversar com ela pela primeira vez. Ela corou, me disse que tinha pressa por não sei o quê, e se foi. Achei aqui o super estranho. Não conversamos mais pelo Facebook, nem pelo MSN.
Acessa o link.

sábado, 31 de março de 2012

Um, dois três... quatro, cinco, seis...

Sábado chegou! E me preparei bastante para isso. Fui dormir de madrugada para acordar bem tarde e, assim, fazer com que o dia durasse menos. Preguiça? Talvez! Indisposição? Certamente! Falta coragem, aquela coragem que se precisa para se enfrentar um fim de semana. Garanto que tem dia da semana muito melhor que alguns fins dela.
O mais engraçado é que não importa o quanto você descanse, sempre falta coragem e disposição para enfrentar a bendita segunda-feira.

Idées Reçues

Tem coisa mais boa que saber que houve uma época em que não tínhamos preconceito? Ficar pelado? Ora, nada mais agradável. Abraçar alguém sem ter medo de que as pessoas olhassem com suspeita? Que coisa maravilhosa! Viver sem precisar que a infelicidade dos outros fosse motivo para nossa felicidade? Um sonho! Somos egoístas demais. Não deveríamos ser tão rotulados quanto somos. Eu gostaria que todas as nossas diferenças fossem para longe, e não voltassem. O problema é que nossas diferenças nos fazem ser quem somos. Quando alguém diz que precisamos lidar com as diferenças, você sabe o que é isso? Eu sei! Tento aplicar esse conselho, e sei que é difícil. Mas sei que é difícil porque quando tento me despir de todo preconceito muitas vezes sou excluído do grupo em que estou. Sou chamado de "idiota!" Mas esse "sou" não se trata de "mim", se trata de "nós". Vontade de voltar para a primeira idade e ensinar algo ao Mundo que me ensinou algo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Viver para os outros

Como é chato quando você dá um "bom dia!" para alguém e não obtém nenhuma resposta. Você compra aquela roupa nova e ninguém repara. Coloca brincos e ninguém comenta. Está triste e ninguém pergunta o porquê. A lista é imensa...
Alguns dizem que uma mulher não se veste para o homem, mas para causar inveja em outras mulheres. Não concordo, nem discordo. Apenas as mulheres sabem se isso é verdade ou não.
O homem adora comentar com os outros que está saindo com tal mulher, que já ficou com ela, que é "o cara".
Nossos pais amam falar de nós para os outros: "Meu filho faz isso, isso e isso", "É uma pessoa ocupada, por isso quase não liga para mim!"
Puta merda!
Somos assim mesmo? Será verdade? As imagens lembradas por nós nos ensinam isso. Aquelas coisas que mais nos marcam vem à tona em nossas lembranças. Reparamos coisas assim. Talvez não consigamos perceber o que reparamos: "Algo está estranho, eu sei, mas não sei o que é". É assim que pensamos.
Coitados de nós. Nossas roupas, compradas a tanto custo, servem para que os outros vejam. Nosso sorriso, tão mal disfarçado, serve para que os outros vejam. Nossas fotos no facebook, no orkut... Nosso carro é aquele que mais as pessoas comentam. Nossa formação é aquela que os outros valorizam.
Não acho ruim que pensem assim. Acho ruim que "só" pensem assim. Porque o que será de nossas vidas com tamanha superficialidade? Tudo está tão assim... sei lá...

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Eu, o Alheio e o Outro

Tempo de se mostrar é este. O google vigia nossa vida, câmeras por todo lado... Pense bem: adora(mos) assistir Big Brother, somos curiosos, e reclamamos quando os outros nos espiam. Isso é contradição. Por que não posso ser quem sou? Por que trabalho e me escondo em casa? Brutalidade. Há grades em frente às casa, fios elétricos, câmeras. Mudo de assunto e volto para outro, me tolerem. Por que tenho que guardar o que é meu do outro?
Pense bem, tenho uma vida estável, mas quero ter certeza de que não passarei fome. Ótimo! Começo a trabalhar. Trabalho de segunda a sexta, de 08:00 às 18:00. Mas para chegar ao serviço a tempo tenho que acordar às 05:30. Em casa tomo banho, como algo, assisto jornal, novela. Durmo um pouco, acordo no meio da transmissão. Digo que é hora de ir dormir. Aproveito o que? Meus filhos não passam pelo que passei! Que fazem eles da vida? Sou um irresponsável, pois se ele nada aprende nada vive. O trabalho modifica o mundo, mas não esse trabalho, esse em que ponho uma peça em uma aparelho, mas nunca sei o processo todo, sei apenas por uma peça. O dia inteiro faço isso. Construo algo, mas não sei o que construo. Quando chego em casa quero saber de nada do trabalho. Que chato, se o mundo é construído com base em conversa.
Depois de por malditas peças iguais em aparelhos iguais, junto dinheiro. Compro o que produzi. A única satisfação que tenho é essa. Digo para os outros que "trabalho fabricando" esse produto. Não quero que ninguém o tome de mim. Estou satisfeito com isso. O trabalho me mantém longe de casa. Mas digo que trabalho para meus filhos. Trabalho para ganhar. Não é para realmente me sustentar, não passar fome. Trabalho para comprar coisas, acumulá-las em minha casa, ter a posse, e ninguém as tirará de mim, pois o mais próximo que cheguei do amor foi quando as senti sendo minhas.
Mas e sobre a vigilância? Bom... pense você, não posso te dar todas as respostas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Se uma pessoa contasse para alguém do passado como vivemos hoje, não creio que haveria quem quisesse ter nascido nesta época. Vivemos uma época sombria, na qual nada é sólido.
Ninguém é o mesmo o tempo todo. Acho que é por isso que nunca temos os mesmos amigos. Ora não desgrudamos de algumas pessoas, ora passamos tempos sem vê-las, mesmo elas estando ao nosso alcance. 
Hoje estou sorrindo, amanhã estou triste. Acordo bem disposto: está cedo. Volto a dormir. Acordo de novo: hoje não quero sair da cama.
Oh!, tenho que ir para o meu quarto ou para o banheiro. Quero chorar, mas não sei o porquê disso. Apenas quero chorar.
Engraçado não prestarmos atenção à nossa volta, estranho não percebermos que está tudo errado, que existe algo que devemos mudar. Que coisa ficarmos esperando pelos outros...
"Amanhã é um novo dia!". Epa! Qual a diferença do amanhã para o hoje? Amanhã o sol vai nascer e vai se por, como hoje. 
Por que não gritarmos se estamos com vontade de gritar? Ficar sempre em silêncio é coisa chata, não dá em nada.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Hoje procurei seu cheiro pelo meu quarto, no meu travesseiro, nas minhas mãos... Foi em vão, pois não encontrei. Mas o cheiro ainda percorre minhas narinas. 
Me sentei e chorei porque não tenho você comigo agora. Chorei porque te deixei partir. Não fui forte, fui na verdade o mais fraco dentre os fracos, o mais covarde dentre os covardes.
Foi você quem quis partir. E eu... eu ainda cá estou, sem saber para onde ir. Não sei para onde você partiu. Nem fui me despedir, apenas esperei que você batesse em minha porta, me dissesse que ficaria, que me amava. Mas agora estou sozinho...
Seu rosto já não me é tão familiar. Eu vou envelhecer, você vai envelhecer. Mudaremos. Mas seu cheiro ainda guardo na lembrança. Não o cheiro do seu perfume, apesar de ainda senti-lo. O que guardo é o seu cheiro, seu sorriso, sua feição de séria. Mas isso vai fugindo... fugindo... até se tornar apenas uma lembrança. Você não sabe o quanto me arrependo, você não sabe o quanto choro ainda. Só agora sei plenamente que te amo. Mas não sei onde você está.
Saio na rua e vejo as mesmas pessoas. Vou para onde nos encontramos e vejo você, sorrindo para mim. Ouço sua voz, trazida pelo vento, pela lembrança...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para alguém

Chora, chora!
Chora, porque seu amor foi embora.
Chora, porque ele não mais vai voltar.
Ele foi para Minas distantes,
Viver uma vida a mais.
Talvez ele mande notícias,
Talvez ele esqueça de tudo,
Um passado que não pede lembrança,
Um passado que não queira lembrar.
Mas você o lembrando
Só chora!
Thiago Fernandes Peixoto

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Em 1958, apareceu nas livrarias da Europa um livro bastante extenso cujo título era Tratado da argumentação: a nova retórica, possuía mais de quinhentas páginas. Os autores eram Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca. A primeira vista essa obra não trazia nenhuma novidade, a retórica já era bastante conhecida, ela remontava aos gregos do século IV a.C. Nas primeiras páginas do livro, porém, já se podiam ver algumas novidades. Primeiro ele começava rompendo com uma tradição filosófica advinda de Descartes, a qual considerava como falso tudo aquilo que escapasse ao domínio da certeza. Se dois homens falam coisas apostas acerca de um dado, dizia Descartes, ambos estão errados, porque se um deles conhecesse a verdade poderia manifestá-la facilmente ao outro. Esse tipo de pensamento considerava como falso tudo aquilo que fosse apenas provável.

A novidade trazida pelos autores do Tratado consistia em renunciar ao pensamento descarteano, precisamente por aceitar que o que é apenas provável, é justamente o que necessita ser argumentado. Um ministro da saúde, por exemplo, expõe um plano sem realmente saber se ele é o melhor, pois isso somente será possível após ser posto em prática. No entanto, ele tem que fazer a pessoas que tem o poder de aprovar o plano pensarem que, de fato, aquele é o melhor.

Dito isso, resta saber ao que exatamente esses autores remontavam quando traziam como subtítulo da obra o nome Nova retórica. A retórica é uma prática bastante antiga. Podemos buscar seus fundamentos, na Sicília grega, no século IV a.C. Duas figuras se destacam aqui: Córax e Tísias. Conta-se que quando a Sicília ficou livre das guerras já não se sabia quem eram os legítimos donos das terras que haviam sido ocupadas por invasores estrangeiros. Começou-se, então, a decidir tudo por meio da palavra: era necessário convencer os juízes que o orador era o dono das terras.

Córax e Tísias se saíram tão bem nesses processos que resolveram publicar um manual de arte retórica. Sabe-se que Tísias era discípulo de Córax por causa de uma história de Xenofonte. Conta ele que quando Córax cobrou de Tísias os honorários pelas aulas ministradas este retrucou: “Córax, se você me ensinou bem devo estar em condições de te persuadir a não aceitar os honorários, se eu não for capaz disso é porque você me ensinou mal, então não te sou devedor de nada”. O próprio mestre cai na armadilha que ele havia ensinado ao aluno armar para outros.

Depois desses surgem as figuras de Platão e Aristóteles. O primeiro ficou conhecido na história da retórica sobretudo pelas criticas que fez a esta em seu diálogo Górgias. Górgias é o famoso sofista da antiguidade que se vangloriava dizendo que podia persuadir alguém de alguma coisa e do contrário dessa coisa. Por exemplo, dizia ele que podia persuadir alguém de que o ouro é amarelo e de que não é amarelo. Dizia também que se em um debate ele e um médico disputassem para ver quem entendia mais de medicina ele sairia vitorioso.

A critica mais dura de Platão se dirige a esse poder falar de tudo. O retor pode persuadir alguém de algo, mas ele sabe sobre o que está falando? Ele fala da verdade, da beleza, mas ele sabe o que é a verdade, o que é a beleza? Para Platão o retor engana-se a si mesmo. No caso do debate entre o retor e o médico, Platão diz que, de fato, o retor pode persuadir o auditório de que ele entende mais de medicina que um médico, mas ele poderia fazer isso por muito tempo? Caso alguém precisasse de seus serviços como médico logo ele seria desmascarado pelos erros cometidos.

Para Platão a retórica é a arte da mentira, da ignorância. Essa postura vai lhe valer as criticas de seu mais conhecido discípulo: Aristóteles.

Aristóteles define a retórica como “a arte de persuadir”, sendo que persuadir é levar alguém a crer em algo. Diz ele que as coisas verdadeiras e justas são mais fáceis de provar que as coisas falsas e injustas. Então, se em um debate, houverem duas pessoas, ambas conhecedoras da retórica, aquela que defender causas justas tende a vencer aquela que defender causas injustas. A verdade consistiria apenas no relato real de um acontecimento, já a mentira precisaria ser formulada a partir da verdade, o que é muito mais difícil.

Aristóteles vai sistematizar a ciência retórica e mostrar seu real valor. Ele dizia existirem três tipos de provas discursivas: as que residiam no caráter moral do orador (o ethos), as que se pautavam nos sentimentos que o orador despertava em seu auditório (o pathos) e os argumentos propriamente ditos (o logos).

Aristóteles também diferenciou três tipos de gêneros retóricos, conforme o publico alvo e o tempo em relação ao qual o discurso se pautava. Havia, assim, o gênero jurídico, que era dirigido aos juízes, e referia a fatos passados. O gênero deliberativo, o atual discurso político, que era dirigido aos cidadãos, e se referia a acontecimentos futuros. O gênero epidíctico, o discurso dirigido a todos os cidadãos, discurso de caráter poético, situado no presente, seriam os atuais discursos proferidos no dia da independência, no dia de Tiradentes, enfim, nas datas comemorativas de um modo geral. Segundo Perelman e Olbrechts-Tyteca esse tipo de discurso não serve para persuadir a curto prazo, mas para deixar o auditório mais receptivo aos argumentos de outros discursos.

Depois de Aristóteles os latinos Cícero e Quintiliano darão continuidade ao projeto retórico, mas não acrescentarão novidades. Pascal, muitos séculos depois também se reportará aos estudos retóricos para embasar sua filosofia.

Apenas em 1958 outro teórico irá reformular os escritos de Aristóteles, não se desvencilhando de tudo, mas dando novo corpo à teoria. Estamos nos referindo a Perelman e Olbrechts-Tyteca.

A primeira quebra desses autores com a teoria retórica antiga consiste em não aceitar os discursos retóricos como se referindo apenas aos discursos orais proferidos diante de uma multidão. O auditório não se constitui mais apenas de um grande publico, pode ser uma única pessoa o interlocutor. Auditório se torna sinônimo de destinatário. Se alguém estiver falando ou escrevendo apenas para uma pessoa essa pessoa será seu auditório e a pessoa que fala ou escreve o orador. Nos casos em que a pessoa fala consigo mesma, sempre usa de argumentos para se convencer, ela será então o orador e o auditório.

O auditório não é uma pessoa, mas uma abstração. Não é quem o orador tem a sua frente quando fala ou que ele chama pelo nome, não necessariamente. Quando um político concede uma entrevista para um jornalista podemos dizer que o auditório se constitui mais pelos leitores do jornal que pelo jornalista propriamente dito, porque é a eles que o político deve satisfação, e é neles que ele deverá estar pensando quando falar ao jornalista.

A Análise do Discurso se apropriou desses estudos retóricos a partir de diversas problemáticas. Hoje os estudos sobre o ethos se concentram sobretudo nas figuras de Dominique Maingueneau e Ruth Amossy. Christian Plantin desenvolveu diversos estudos argumentativos que levam em conta as correntes pragmáticas (as leis do discurso, a teoria dos atos de fala, as questões relativas a enunciação etc.). Oswald Ducrot e Jean Claude- Anscombre, a partir dos trabalhos sobre pressuposição, desenvolveram a tão discutida teoria da Argumentação na língua. Patrick Charaudeau trabalha bastante essas questões a partir do que ele chama estratégias de discurso.

É antes de mais nada por essa diversidade, porque podemos ir do mais elementar ao mais complexo, por causa de sua implicação no cotidiano e no ensino e porque podemos dar liberdade de escolha aos membros do Núcleo, e também porque é uma das tendências mais estudas atualmente, que escolhemos como segundo projeto do NEAD, esse mais longo que o primeiro, sobre os fundamentos da Análise do Discurso, pesquisar os diversos usos da argumentação.

Caetité, 03 de junho de 2008/ Encontro do NEAD.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Não apenas é um paradoxo, como também é uma idiotice viver usando uma máscara e julgar que são outras pessoas que o fazem. Aos domingos, supostamente, eu vou à igreja. Por que vou? Por que é preciso não se esquecer de Deus? Por que é preciso pedir perdão pelos pecados? Porque é preciso ter uma consciência limpa.
O mais estranho é que, se Deus nos criou, como posso reservar apenas um dia ao meu criador? Se ele pode me tirar deste mundo quando quiser, como posso me lembrar dele em poucas horas? Há quem se lembre na hora de acordar e na hora de dormir. Outros se lembram também antes ou depois das refeições. A maioria se lembra quando está com sérios problemas. Bom...
No entanto, tem uma coisa que acho bem engraçada. É que as pessoas que "curtem a vida", são bastante religiosas. A minha dúvida é que elas são muito apegadas a essa vida, e procuram demais refutar os argumentos que as contrariem, quando o criador disse que isso essa vida é apenas uma passagem. Um teste, na verdade, como o vestibular, em que você vai ganhar ou não a vida eterna.
O mais estranho é que essas pessoas idolatram o corpo, e cultuam a Deus sem saber nada sobre ele. Dizem que o sentem. Ora, eu posso enumerar essas sensações. Quer ver algo engraçado? Tire a poesia da missa. Sim, essa poesia que está nas palavras do padre. Tire o pedido para que você feche os olhos. Tire a música lenta. Tire as pessoas chorando ao seu lado e a influência que elas causam em você. Tire também a sensação de que há um pai melhor, mas não apenas um pai melhor do que aquele que você tem ou teve, um pai que irá resolver as burradas que você faz. O que resta?
Meu conselho, que na verdade você já anda fazendo, é: curta essa vida, talvez haja outra, talvez não; siga as ordens dos seus pais, pois é com o modo de vida deles, passado de geração em geração que a humanidade viveu até hoje, rsrs, mas tente saber como foi a história da humanidade. Mas tem uma coisa que peço de coração: ao menos reflita sobre a opinião dos outros.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Às vezes penso que a retirada seria a melhor opção, sempre.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quantas pessoas você beija em uma Micareta? Uma? Duas? Três? ... Bom! Já me disseram ter beijado 25. Coisa estranha. Há quem colecione livros, ou cartas, ou selos, ou calçados. Mas nesse caso a pessoa seria uma colecionadora de beijos. Nossa! Parece que o casamento tradicional, aquele que inclui igreja, cartório, testemunhas está saindo de moda (é bom lembrar que o que sai de moda um dia pode voltar), mas os exageros nunca são bem vindos. Que necessidade uma pessoa teria de fazer isso, beijar tanto. Coloco apenas o beijo aqui, só que coisas piores acontecem. Não acho interessante isso do beijo. Creio que quando se gosta de uma pessoa tem-se vontade de se entranhar com ela, de estar dentro dela, de se fundir com ela. Isso é o que chamo de paixão. Beijo sem paixão é sem graça. Beijo sem graça não vale a pena. Uma pessoa não pode se apaixonar tão rapidamente. Conheço quem se apaixone mais de uma vez por semana. E isso já é estranho, porque essa pessoa é incerta quanto aos próprios sentimentos. Espero que não, mas quem procede assim, pode ficar na solidão, ainda que arranje alguém para viver junto.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sei que olho para uma imagem montada em um computador. Ela é apenas um ideal de campo, de sol, de vida. Nada nela faz parte de um acontecimento que se deu em um determinado momento do tempo. É tudo apenas uma ilusão.
Mas é tudo tão bonito...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Spiritus Mundi

Quando uma pessoa está pensando, dizemos que está no mundo da Lua, Mas o que seria isso? Trata-de de uma metáfora, obviamente, e não de um lugar propriamente dito. Quando dizemos que alguém está no mundo da Lua, queremos dizer que esse alguém está disperso em pensamentos, que se alheou da realidade, que "está longe", que não percebe o que se passa ao seu redor.
Mas onde exatamente estaria essa pessoa? Em algum lugar ela está focando sua atenção, já que somente quando desmaiamos é que estamos "apagados", sem relação com o mundo externo.
O mundo do espírito, aquele em que todo o imaterial, todas as lembranças, imaginações, raciocínios, e demais pensamentos se concentram é esse lugar. Um "lugar nenhum", pois não exite, a não ser para a pessoa que nele está. Platão o chamava de "mundo ininteligível", nós o chamamos, em algumas situações, de céu.
No entanto, o "mundo do espírito" não tem nada que ver com nossa tradição religiosa. Nesse mundo não há divindades, nem certo ou errado, nem punição. O que nele há são apenas abstrações. Abstrações minhas que interagem comigo mesmo.
Entro nele em um momento voluntário de solidão. Voluntário porque decidi espontaneamente me retirar do convívio com outras pessoas. No momento em que me encontro nesse local não vejo minha realidade aparente e próxima, saio do meu corpo para dar lugar apenas às abstrações. Coisa difícil de entender para quem nunca esteve nele.
Mas se você nunca esteve nele, nada o diferencia das vontades de um animal qualquer, como um cachorro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Poesia fala de tudo, o resto fala do que pode.
Não sou eu quem escreve essas palavras, é meu alter ego.
Já ouvi mais de uma vez mulheres dizerem que desejam um "homem com cara de homem". Que é isso?
É verdade que ninguém entende as mulheres? Nem elas?
A imagem do homem das cavernas carregando uma mulher pelos cabelos veio de onde?
Parece que a mulher gosta de ser possuída, e não de possuir, por mais que esbraveje, que reclame, que tente se impor.
Dona Flor e seus dois maridos é o retrato um casamento perfeito? Um homem para apresentar à sociedade e um amante voraz na cama. É esse mesmo o sonho das mulheres?
Há livros sobre isso, crenças populares, conversas informais: "Não olhe demais para ela, senão ela vai achar que você é bobo", "Se imponha!", "Aparente indiferença" etc.
Coisa dos sexos opostos.
Qual tipo de mulher combina com qual tipo de homem?
Eita, coisa difícil de entender, sô!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Por que tantas pessoas querem ser médicos? Sem dúvida, salvar vidas é algo glorificante. Além disso, um médico é alguém notável em uma cidade qualquer, chamado de "Doutor", mesmo sem o doutorado.
- Bom dia, doutor!
- Onde o doutor quer se sentar?
- Olha, o doutor tem razão.
- Você está falando com o doutor.
Realmente, quem faz medicina quer salvar vidas. O "Plantão médico", quem se lembra?, ajudou muito no sonho de alguns. O restante foi ajudado pela bajulação e carros que se vê por aí. Cargos, arrogância e prepotência ajudou a outros.
Ah!, antes que eu me esqueça, a figura ao lado é referente ao mito de Sísifo. Deem uma olhadinha. É lá da mitologia grega.

sábado, 12 de novembro de 2011

As redes sociais "surgiram". Por quê? Pra que serve uma rede social? Orkut, Facebook etc. etc. etc.
Antes de conhecê-las, não fazem falta. Depois, parece que não se pode viver sem.
Se escrevo alguma coisa, espero que comentem, pois se alguém não o fizer parece que as coisas que posto não tem importância.
Então as imagens vão se tornando mais frequentes. Um vídeo aqui, uma foto ali... Algumas pessoas colocam fotos que tiraram, e pronto. Outros, passam essas fotos pelo photoshop, pelo photoscape e por esses inúmeros programas de remodelagem.
Não é que não fiquemos bonitos nas fotos, é que tudo tem que ficar melhor, diferente. Diferente mesmo do que sou na realidade.
Há amigos que quase não reconheço em fotos de redes sociais.
O mais engraçado de tudo, é que pessoas me enviam inúmeras mensagens nessas redes e quase não conversam comigo quando nos encontramos cara a cara. Que será que acontece?
Já passei mais de 3 horas conversando com alguém pela telinha, alguém com quem nunca conversei mais de dez minutos no rosto a rosto.
Será que o povo tem apenas vergonha de conversa com alguém pessoalmente? Ou será mais alguma coisa?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Conversa diária

- Oi! - Oi! - Que tem feito de bom? - Nada. - E você? - Eu? Nada. - Como vão as coisas? - Vão bem. - E a família? - Todos bem. - Quando aparece por aqui? - Sei não. - por que você não vem? É mais fácil. - Vou ver. - Certo. - E no mais? - Tudo bem. - Até, então. - Até.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Dia de sol, dia de praia

Não gostar de praia faz parte de uma opção de vida. Tem quem goste de praia durante o verão, para tomar banho de mar, tem quem goste de praia no inverno, para apenas contemplar o mar. Particularmente, não gosto de praia, prefiro um rio, um riacho.
Engraçado que muita gente goste daquele cheiro de água salgada. Já eu não, gosto é do cheiro de mato, de água doce.
Mas sou impelido para gostar de observar o mar. Apenas isso. Mais do que uma estonteante beleza, vejo nele a memória dos filmes que assisti, das músicas que ouvi, das histórias que me contaram. Nada mais.

domingo, 18 de setembro de 2011

Às vezes tão linda, às vezes tão triste, às vezes tão misteriosa, às vezes tão saudosa, às vezes tão companheira... Assim é a Lua. Assim eu gosto da Lua. Ela está presente em meus melhores momentos. Sempre que lembro deles, aparece ela. Ainda bem que é algo tão belo, mas de longe. Se eu estivesse lá, bonita seria a Terra, só que é aqui que moro. É certo que quase sempre vivo no mundo da Lua, mas é na Terra que moro.
É uma forma de fuga olhá-la e pensar nela: uma forma tão boa. Tomando um vinho é melhor ainda. O problema é que não bebo há anos. Por isso, apenas o silêncio da alta madrugada é confortante, é compensador para admirá-la.
A Lua não me faz apenas lembrar, me faz também pensar, imaginar, refletir. Ela aconselha uma ideia romântica. Assim ela é perversa. No entanto, sem essa perversidade, que coisa ruim não seria vida.
Como não a olho agora, não mais o que escrever, apenas trago as palavras de outro: "Fez tanto luar, que pensei nos teus olhos antigos e nas tuas antigas palavras."
P.S. Não vou ler mais este texto...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Retratar fielmente aquilo que se vê é algo extremamente sem graça quando ocorre um segundo contato. Se alguém me conta um ocorrido, ele se torna velho, e não me interessará ouvir uma segunda vez essa mesma história, a não ser que se trate de algo com intensões que não a própria história. Coisas interessantes, são contadas, recontadas, tré-contadas... Coisas interessantes, fogem ao usual, ao cotidiano, ao esperado. Se um dia eu contar o que passei quando fui me apresentar ao serviço militar, creio que isso poderá ser deca-contado. Mas hoje não é dia. O incrível é que temos tanta necessidade de algo que nos surpreenda, que frases ou manchas de tinta, ou barulho podem ser trocados por carros e casa.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sempre achei que Valeria à pena

Imaginar o que poderia ter sido sempre foi rotineiro para mim, mas há coisas que são mais fortes, que martelam, martelam... até chegar um ponto em que viram imaginação concretizada. Não existe o "foi" ou o "vem a ser", sempre se é. Tristeza para alguns, alegria para outros, indiferença para mim. É que não sei ser diferente, por isso não me contrario pelo que não posso lutar contra. As coisas que existem sempre existiram. O ruim é que tenho apenas essa existência. O ruim é que sei que outras pessoas sentiram o que sinto e outras pessoas sentirão. Minha história não é original, mas sinto que se fosse, tão grande é o sentimento. Talvez eu tenha escrito muitas besteiras, e creio que as escrevi. Talvez eu tenha escrito coisas contrárias ao meu próprio pensamento. Quer saber... amanhã ou ano que vem eu descubro realmente se estão certas essas manchas de tinta virtuais que aqui estão.

sábado, 16 de julho de 2011

Li para um povo essa semana um texto com o seguinte enredo: um homem bate na porta, ao abrir, e ver que se tratava de um escritor conhecido, o morador abriu e começou a dialogar com o sujeito. O escritor perguntou se o morador havia lido um livro seu, ao que obteve a resposta pela afirmativa. Na verdade, tratava-se de uma mentira, pois o tal leitor colecionava livros, mas não os lia. O escritor estava matando todas as 17 pessoas que leram seus livros (foram 500 exemplares publicados), tudo porque ele cometera uma cacofonia no livro, ou seja, havia criado uma frase que ao ser lida emitia um som desagradável (tipo "Vou na casa dela", que lembra "cadela"). No fim das contas, o leitor acaba assassinado.
Essa história é um conto de Luís Fernando Veríssimo, e o título é "Sebo".
O que me chamou a atenção foi me dizerem que a história era ruim, não tinha bom enredo, era monótona.
Creio que isso tenha sido muita falta de imaginação.
Será que sou eu que tenho imaginação demais?
É que quando li o conto, pensei em muitíssimas coisas, Acabei mesmo criando uma nova história com as brechas deixadas pelo autor. Se me é permitido, deixem que eu vá à minha imaginação.
Um homem bate na porta. "Quem seria? Fosse tarde, porque o morador abriu a porta? Não deveria ter perguntado quem era, lá de dentro do apartamento mesmo?" O visitante se identifica como sendo um escritor chamado Plim. "Esse nome é bastante incomum, mas os escritores tem nomes incomuns: Dostoievski, Tolstoi, Eça de Queirós. Como uma pessoa pode se chamar Eça? Eu e meu pai pensávamos ser uma mulher. Só depois descobrimos que era um sobrenome, que o nome completo da figura era José Maria Eça de Queirós. Mesmo assim me pergunto: 'Como pode um tal sobrenome? Estranho!'"O morador, reconhecendo de foto o escritor, deixa Plim entrar. "Plim! isso é pra rir". O morador não diz seu nome. "Por quê?" A Plim é pedido desculpas pela demora para que abrisse a porta, pois estava ocorrendo na cidade uma onda de assassinatos. "Hoje em dia ninguém está seguro". O escritor pergunta ao morador se ele havia comprado um livro seu, e se o havia lido. "É de se suspeitar. Um escritor, que deve ter milhares ou milhões de leitores aparecer na minha porta?" O morador ficou envergonhado de ter apenas comprado o livro, de se ver obrigado a dizer que não o lera (isso seria desvalorizar uma obra que poderia ter levado anos para ser escrita), mas o jeito humano inventou a mentira, e foi justamente ela que o salvara, com apenas uma palavra: "Li". O nome disso é "pedantismo". Lembram do início de "Triste fim de policarpo Quaresma? pois é, lá ele é acusado de pedantismo". O escritor procurou se certificar e voltou a perguntar. Novamente a mentira foi a resposta. "Por que mentimos? Dizer a verdade é bem mais fácil. Para dizer a verdade basta relatar o que aconteceu; para mentir é necessário saber o que aconteceu e distorcer os fatos e o pior é que sempre teremos que lembrar das duas histórias: da que contamos e da que aconteceu". Plim explica ao suposto leitor que ninguém que leu o livro poderia permanecer vivo, porque ali havia um cacófato (uma cacofonia). "Por que matar por isso? Talvez seja verdade quem diz que vivemos em uma das piores fazes pelas quais a humanidade já passou. Mata-se por nada". O morador implora, diz que não leu o livro, mas não é acreditado e por isso paga com sua vida. "Me disseram uma vez que no Rio de Janeiro se compra livro por metro para decorar a casa. Livros impressionam qualquer visita. Elas sempre dizem: 'Porra! (ou 'Nossa!') você já leu isso tudo?' O que não entendo é por que alguém gostaria de saber isso? O motivo seria a minha suposta sabedoria ou sua possível ignorância? As pessoas que leem muito não são mais confiáveis por isso". No entanto, o morador, leitor falso e verdadeiro (não lia livros, porém sabia ler a alma humana), não era a primeira vítima de Plim. Imaginei cada pessoa que ele matou. Os rostos, os sustos, os pensamentos que se passam em hora que gostariamos de adiar ao máximo. Imaginei o arrependimento do morador, pois imagino que todos se convertem à bondade quando descobrem que a vida acaba e que meu texto não acaba, mas tem fim aqui.

sábado, 9 de julho de 2011

Ir para uma cidade beira-mar, como Salvador, e encontrar uma cidade com chuva, sem sol, é muito azar. Mas fazer o quê? A realidade é diferente da televisão.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Italiano é bonito, alemão é feio"

Não reivindico o título deste texto, pois não é meu. "Italian is beautiful, German is ugly" é o nome do capítulo escrito por Giles e Niedzielski do livro organizado por Bauer e Trudgil "Language Myths". Mas por que estou escrevendo isso? Por dois motivos: primeiro, estão me perguntando frequentemente se Francês é mais difícil que Inglês, e não estão acreditando quando respondo que nenhuma das duas é difícil; depois, tanto na internet, quanto no cotidiano, ouço muito que o Português seja a língua mais difícil. No capítulo referido acima, os autores abordam a questão de que nenhuma língua é mais difícil que outra. Inicialmente isso poderia parecer inacreditável para o senso comum, porém afirmo a mesma coisa que eles: "Nenhuma língua é mais difícil que outra". E por que isso. Bom! Comecemos pelo mais óbvio. Há possibilidade de uma língua ser difícil para as pessoas que a falam? Acho que não. No Brasil, a maior parte das pessoas se comunica em Português (não esqueçamos que temos aqui mais de 200 línguas indígenas e que há também as línguas faladas pelos imigrantes, sendo que o Japonês é a segunda língua mais falada como língua materna - o Japonês é falado no Brasil por cerca de 400.000 pessoas) e ninguém sente dificuldade em fazer isso. O problema sempre é aprender a Norma padrão do Português, pois se trata de uma segunda língua. Entre a língua que falamos no nosso dia-a-dia e a língua que aprendemos na escola, existe um abismo, quase comparável entre aprender Alemão, Inglês ou Francês. Sentimos dificuldade por isso. É fácil aturar alguém dizer que quando falamos "Os três homem lá fora" estamos falando errado? Dá vontade de matar uma pessoa dessas. Depois, aprender qualquer língua estrangeira é de lascar. A maior parte delas possui sistemas diferentes do Português. Por exemplo, para negar em Português utilizamos o "não", como na frase "Eu não sou grande", já o Francês costuma colocar o "ne" antes do verbo e o "pas" depois do verbo, ficando assim: "Je suis grand" (Eu sou grande) e "Je ne suis pas grand" (Eu não sou grande). Se ficarmos sempre comparando nossa língua com outra, sinceramente, não aprendemos nenhuma.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Histórias


Todas as nossas escolhas tem um pé no passado, local que apenas nós, talvez, saibamos localizar. Digo isso porque há tempos e tempos que venho tentando escrever uma história que eu ache digna de ser lida.
Não me contento com minhas próprias histórias; tendo a desgostar das que escrevo quando as leio mais tarde.
A última que tentei escrever se baseava em memórias, de quando eu ainda era um estudante do ensino médio, época em que era bem mais inteligente do que hoje. Mas não consegui.
Na verdade, até que consegui, porém deletei do meu computador mais de vinte páginas de história, muito bem contada, não sei quando, não sei por quê. Tendo a fazer isso. Acaso houvesse apenas papéis, certamente não os rasgaria. Não rasgo papéis, guardo-os até demais. Coisas fúteis ficam guardadas em minhas pastas. É que meu amor pelos papéis é forte demais: talvez por isso coleciono livros. O ponto bom é que os leio.
O pé no passado ao qual me refiro pode ser encarado de várias formas, penso que nem eu sei ao certo qual escolher aqui, mas neste momento me refiro apenas às memórias e escolhas: primeiro porque sempre há algo perdido que buscamos dia após dia, e também vemos coisas novas com base nas que vivemos antes.
Gostaria de achar um velho que explicasse isso melhor. Um psicólogo não, já que eles são muito imaturos: deveriam ter aprendido com os filósofos, mas os ignoraram.
Bom... A história que tentei escrever, e até certo ponto consegui, se tratava de um primeiro amor da adolescência, amor passageiro, intenso, imaturo e puro. Creio que somente nessa época somos assim. Quando ficamos mais espertos, nossa pureza se vai. Esperteza demais talvez seja o flagelo da humanidade.
Minhas mais de vinte páginas se foram... não lembro o que escrevi. Nunca mais será lido, nem por mim, nem por ninguém. Ou quem sabe aquelas páginas não sejam lidas em meus olhos. Dizem que os olhos são o espelho da alma. No entanto, já confiei muito em olhos que pareciam ser verdadeiros.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O teatro clássico, "dizem os estudiosos" (como se fosse), divide os personagens em protagonistas e antagonistas. Seria mais ou menos assim: de um lado há o bonzinho, que sofre, mas vence no final, igual em nossas novelas atuais, e de outro lado o vilão, que maltrata o bonzinho durante toda a peça, e é derrotado.
Se não há um personagem que se encaixe no papel de antagonista, o protagonista será seu próprio vilão.
Pode ser que daí tenha vindo a frase que alguns encaram como ridícula e que outros levam a sério: "A arte imita a vida ou a vida imita a arte?"
Quem sabe? Não me arrisco a responder. No entanto, parece que na vida também é assim. Parece que temos que aceitar que uma pessoa ou é "má, má" ou "boa, boa". Apesar de até hoje não saber por que temos que aceitar isso, aceitamos.
Se uma pessoa faz algo que consideremos "trivial", para dizer o mínimo, ela será "má, má", se essa mesma pessoa realiza algo que consideremos digno de consideração, ela será "boa, boa".
Dividir as pessoas nesses dois eixos, isso sim é algo "trivial".
Ninguém é somente bom, assim como ninguém é somente mal. Creio que todos são vítimas das circunstâncias. De que forma? Bom... um ladrão merece a cadeia. Mas e se ele roubou algo porque a circunstância o impelia a fazer isso? Ainda assim ele será "mal, mal"?
Se uma pessoa, com sérios problemas psicológicos, mata outra, ainda seria "má, má"?
De outra forma, aquele que aperta nossa mal, dá um tapinha em nosso ombro, promete mundos e fundos, nos dá uma cesta básica, e apenas pede nosso voto: seria essa pessoa "boa, boa"?
Divisão complicada...

domingo, 29 de maio de 2011

"Quem entre nós vai se matar? Quem vai enlouquecer?"

A frase acima foi dita por Luís Filipe Pondé, no programa de rádio Trip FM. Ele se referia a uma piada contada por uma aluna, o que o fez lembrar de sua época de graduando em filosofia.
Piada ou não, essa indagação pode ser feita? Sim, pode. O que comprava essa possibilidade é o fato de que ele a fez.
Mas por que alguém faria isso? Pergunta sem lógica? Pergunta que não carece de resposta, e por não carecer, pergunta válida.
Quem ficará louco? Quem se matará? Quem irá antes de mim? Enterrarei meus pais ou eles me enterrarão? Terei filhos? Quantos casamentos? Morrerei com dor?
Ninguém quer que façamos tais perguntas, dizem que são agourentas, atraem coisas ruins, podem deixar alguém louco. O importante é viver sem pensar nisso. E vamos vivendo sem pensar nas coisas mais elementares das quais é formada nossa vida.
Nossa vida é formada de instantes. Isso, acertei!
Que são instantes? Quanto duram? Com quem acontecem?
Começou de novo!
Comecei.
Coisa chata!
Não! Pra mim isso é importante.
E por enquanto vamos vivendo como na figura acima.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Se passo um dia sem escrever, perco um pouco o juízo. Por isso ele não me anda tão bem. A grande questão é que na maior parte das pessoas ele também tem se mostrado ausente. Imagine só, me perguntaram se as coisas que escrevo são coisas pelas quais passei...
Vá se catar quem comete tamanha ousadia. Quando foi que dei liberdade pra isso?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quando eu era criança, me diziam que na sexta-feira da paixão o diabo estava solto, e nesse dia eu deveria tomar todo e qualquer cuidado.
Tive impressão de ver, inúmeras vezes, vultos, assombrações.
Fui perseguido por isso muitíssimas vezes.
Quando descobri que as coisas não eram bem assim, tudo isso desapareceu.

O sonho precede a existência

Se alguém me desse um soco ou um beliscão, ainda assim eu não conseguiria ter a certeza que tantos tem de que tudo que vejo tal e qual é assim, tal e qual.
Acho que vivo em um mundo de pensamentos.
Já se perguntou "onde estamos quando pensamos?" É lá que estou, sempre. Abarcado em uma névoa sob meus pés; o horizonte continua limpo.
Passam-se tempos e tempos e ainda me pergunto se essa sensação é singular, se esse local é habitado por outras pessoas, ou apenas pelo que eu criei.
Só configura uma paisagem, quem não gosta da que tem sob seus olhos. Engana-se quem acredita nos sentidos; eles são apenas cinco, ao menos os que a maioria usa. Alguns conseguiram desenvolver um ou dois a mais. Eu, crio os sentidos que quero.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Campo de Flores

video
Pessoal, um vídeo pro ceis.
Não fiz pro ceis, mas podem ver o que fiz pra...

domingo, 27 de março de 2011

Minhas generalizações

Fingir é uma coisa tão fácil, todas as pessoas o fazem. Infelizmente, ainda ficam chocadas quando alguém assume fazê-lo.
Finjo estar alegre, ter gostado de um presente, querer sair para uma festa, estar doente, ter estudado, gostar de uma pessoa... No entanto, esse "(Eu) finjo" não sou "eu" que escrevo, mas sou também.
Escrevo sobre a mudança e sobre a não-mudança, afirmo que existe o amor e sua antítese. Só que poucas pessoas perceberam que escrevo sem estar apaixonado, ou estando; escrevo na insônia, e em pleno vigor; durmo, acordo, penso, teclo. Não sou pessoa quando escrevo, sou sujeito. Não por obrigação... é porque quero.

sábado, 26 de março de 2011

Amor e Paixão


A diferenciação entre Amor e Paixão não se deve a uma distinção, de fato, semântica, mas a uma tendência da época em que vivemos, na qual a cada duas horas uma mesma coisa se torna ultrapassada.
Se neste exato momento encontro em uma pessoa as características de minha completude, daqui a pouquíssimo tempo ela já não as possuirá.
Não lembro em qual livro se pode encontrar a seguinte passagem: "e se no altar, no momento de dizer o sim, todas as pessoas para as quais você se declarou aparecerem e reivindicarem seu coração?"
Somos animais, antes de sermos humanos. Se alguém discorda disso, lembre que as reações por impulso são predominantes em qualquer pessoa.
O Amor é uma convenção necessária, a Paixão é o Amor vulgarizado.
Será que posso conceber assim?
Bom!, no final das contas, tudo depende das nossas escolhas. Se optarmos por viver como medíocres, assim viveremos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Texto incompleto...

Uma pessoa jamais poderia errar seu próprio idioma.
"Mas ele escreve errado", diz um. A escrita é uma convenção, puro decoreba. Ela não corresponde ao som das letras. Então vejamos: "rapaz" (escrito com "z", mas som de "s"), "pássaro"(hum... pra que tanto "s"?), "casa" (hehe, escreve com "s", mas tem som de "z"), "você" (Vixe! Complicou. Escreve com "c", mas o som é de "s").
Isso parece piada.
Quando falo algo, quero interagir com alguém, ou seja: conseguir uma namorada, influenciar uma pessoa, me retratar, prometer (ainda que não cumpra) etc. etc. etc.
Deu preguiça. Outro dia termino esse texto...

domingo, 20 de março de 2011

Outono

No hemisfério norte, o outono é caracterizado pela predominância do vermelho e amarelo das árvores, além da queda das folhas. A temperatura começa a cair nessa época, as chuvas começam a parar ("começar e parar", que estranho!).
...
Muitas pessoas não gostam de músicas clássicas, chamadas mesmo de eruditas, e isso ocorre com toda a justesa do mundo já que parece que essas músicas pertencem a um minoria, àquelas pessoas que querem se diferenciar. Creio que isso seja culpa da burguesia e da mídia (deve-se aqui retirar o nome das tvs estatais).
...
Hoje (20/03) começa o "outono" do hemisfério sul.
...
Vivaldi compôs "As Quatro Estações".
...
Outro dia, eu assistia televisão mais uma pessoa. O fundo musical da novela era "Inverno", de Vivaldi. A pessoa ao meu lado não sabia que música era. Ela virou pra mim e disse: "Música bonitinha essa aí!".

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ninguém pode saber o tamanho da minha solidão, porque ela não pode ser medida com instrumentos técnicos. Minha solidão é do tamanho da minha solidão, e só isso.
Acordo no meio da madrugada buscando algo que a tenha preenchido, mas ainda continua o mesmo vácuo.
Mas peço, não me tragam a religião, porque esse estágio já superei, e retornar ao superado seria regredir.
Minha solidão é do tamanho de um ão, talvez de um não, ou quem sabe de um talvez mesmo.
Esse mal-estar não se confunde com a ausência de pessoas, pois me vejo cercado delas. Essa solidão é a ausência da pessoa, e não delas.
Acabo aqui. Prolongar palavras torpes seria o mesmo que prosseguir em um vão, e já estou cansado de tantos nãos.

domingo, 13 de março de 2011

Ninguém fala para as paredes. Somos pessoas porque dialogamos. Se pensamos, dialogamos. Dessa forma, é a interação, com nós mesmos ou com os outros, o que faz com que nos constituamos enquanto humanos.
Se isso é tão peculiar da nossa espécie, quer dizer que os outros seres vivos não dialogam? A respostas é básica: não. Eles apenas se comunicam. Mas qual a diferença. Ela é simples.
A abelha, por exemplo, quando descobre o néctar, volta para a colmeia e avisa às outras abelhas de seu achado. Ela faz isso dando voltas em forma de oito (8). Quanto mais voltas ela der e quanto mais rápido ela fizer isso, as outras abelhas saberão qual distância o néctar está da colmeia, se existe perigo ou não e qual quantidade foi encontrada. E as coisas param por aí. Isso é a "comunicação" das abelhas.
Nós, pelo contrário, não nos limitamos a isso.
O ser humano cria, reconstroi algo a partir do que foi criado, inventa. Podemos falar de coisas que não existem, não existirão ou não existem mais.
Que bom é ouvir um "eu te amo!", ainda que não saibamos ao certo o que é o amor.
Que bom é poder falar para alguém os nossos problemas, medos e expectativas.
Sem isso, não teríamos uma vida, apenas viveríamos. E quanta diferença existe entre estar vivo e viver.
Não sei o que tenho depois que vi o seu rosto, pois quando não é você já não posso ver com gosto.
Você se lembra de quando éramos jovens? Vamos fazer planos para o verão?

sábado, 5 de março de 2011

A mudança é o princípio que rege a vida humana. Amamos pessoas diferentes, pois criamos gostos diferentes, aprendemos coisas novas a cada dia, e a partir de então já não somos os mesmos. Nosso DNA é o argumento por excelência: cada um é metade do seu pai e metade de sua mãe, mas não somos nenhum dos dois por completo, pois a vida trata de colocar algo de nós em nossa digital (que aliás não é a mesma de nossos pais) e de fazer com que nossos filhos lembrem apenas que "algo dos meus pais está em mim": os antepassados e os ancestrais são esquecidos, relegados a uma importância insignificante, ou pior, a algo que não significa, já que iniciamos o processo de anulação de algo que não seja o "eu", ici et là. "Como pude pensar assim"? É o que ainda me pergunto quando vejo um texto que escrevi ontem, e é como perguntarei amanhã quando vir o que escrevi hoje.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mudança

Mudar, changer, mutare... A etimologia das palavras auxilia muito em uma determinada forma de pensar. "Mudar", etimologicamente, significa pôr em outro lugar, transferir. Estranhamente não significa "vir a ser", lugar do "devir", nem deixar de ser, expressão para a qual ainda não se tem uma palavra adequada, e que por isso atribui-se à "mudar". Daqui por diante é lícito indagar que, se as palavras oferecem a possibilidade de o homem enxergar o mundo de uma dada forma, e não de outra, onde aparece o significado de mudar? As pessoas mudam deixando de ser algo? A resposta negativa é a mais confiável. De uma forma exata pode-se responder que a mudança não é parte do ser humano enquanto "ser pensante", mas apenas enquanto "ser biológico", ou em outras palavras: ninguém muda. Permanecemos e permaneceremos os mesmos, tais como viemos ao mundo. Abraçar uma ideia é relevante, deixar de crer nela não. Uma crença não poderia ficar para trás, assim como as roupas roídas pela traça não serão as mesmas ainda que remendadas. Diz-se a alguém: "Você é tolo", e em seguida tenta-se corrigir: "Perdão", "Não era isso que eu queria dizer", "Pensei que você fosse outro alguém". Por mais que se fale não se apaga o que foi dito, apenas acrescenta-se algo ao que foi dito. As pessoas não mudam, elas aprendem coisas novas, revelam o que esconderam ser.