Não é coisa das mais fáceis ser admitido em certos grupos, também não o é entrar em contato em certos ambientes com as pessoas o mais normais possível, bem sei disso. Elas são muito desconfiadas das intenções alheias. Parece que o outro sempre possui algo maléfico, querendo nos subjulgar com palavras e ações. Numa cidade pequena, onde quase todos conhecem quase todos, nos sentimos mais seguros para tomar contato, já que nossos "conhecidos" nos protegeriam de qualquer coisa. Numa cidade grande todo desconhecido é, em princípio, um malfeitor. Estereotipagem minha? Quem sabe? Julgue quem puder julgar todos os âmbitos relacionados ao que escrevo.
"Encare tudo como teatro"
terça-feira, 17 de abril de 2012
Paranoia
Não é coisa das mais fáceis ser admitido em certos grupos, também não o é entrar em contato em certos ambientes com as pessoas o mais normais possível, bem sei disso. Elas são muito desconfiadas das intenções alheias. Parece que o outro sempre possui algo maléfico, querendo nos subjulgar com palavras e ações. Numa cidade pequena, onde quase todos conhecem quase todos, nos sentimos mais seguros para tomar contato, já que nossos "conhecidos" nos protegeriam de qualquer coisa. Numa cidade grande todo desconhecido é, em princípio, um malfeitor. Estereotipagem minha? Quem sabe? Julgue quem puder julgar todos os âmbitos relacionados ao que escrevo.
sábado, 14 de abril de 2012
Doença ou mal-estar?

Sonhei com meu amor essa madrugada

segunda-feira, 9 de abril de 2012
"Encare tudo como teatro": que é isso?
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Redes sociais e mundo social
sábado, 31 de março de 2012
Um, dois três... quatro, cinco, seis...

Idées Reçues
quinta-feira, 29 de março de 2012
Viver para os outros
sexta-feira, 2 de março de 2012
O Eu, o Alheio e o Outro

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Para alguém
terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Em 1958, apareceu nas livrarias da Europa um livro bastante extenso cujo título era Tratado da argumentação: a nova retórica, possuía mais de quinhentas páginas. Os autores eram Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca. A primeira vista essa obra não trazia nenhuma novidade, a retórica já era bastante conhecida, ela remontava aos gregos do século IV a.C. Nas primeiras páginas do livro, porém, já se podiam ver algumas novidades. Primeiro ele começava rompendo com uma tradição filosófica advinda de Descartes, a qual considerava como falso tudo aquilo que escapasse ao domínio da certeza. Se dois homens falam coisas apostas acerca de um dado, dizia Descartes, ambos estão errados, porque se um deles conhecesse a verdade poderia manifestá-la facilmente ao outro. Esse tipo de pensamento considerava como falso tudo aquilo que fosse apenas provável.
A novidade trazida pelos autores do Tratado consistia em renunciar ao pensamento descarteano, precisamente por aceitar que o que é apenas provável, é justamente o que necessita ser argumentado. Um ministro da saúde, por exemplo, expõe um plano sem realmente saber se ele é o melhor, pois isso somente será possível após ser posto
Dito isso, resta saber ao que exatamente esses autores remontavam quando traziam como subtítulo da obra o nome Nova retórica. A retórica é uma prática bastante antiga. Podemos buscar seus fundamentos, na Sicília grega, no século IV a.C. Duas figuras se destacam aqui: Córax e Tísias. Conta-se que quando a Sicília ficou livre das guerras já não se sabia quem eram os legítimos donos das terras que haviam sido ocupadas por invasores estrangeiros. Começou-se, então, a decidir tudo por meio da palavra: era necessário convencer os juízes que o orador era o dono das terras.
Córax e Tísias se saíram tão bem nesses processos que resolveram publicar um manual de arte retórica. Sabe-se que Tísias era discípulo de Córax por causa de uma história de Xenofonte. Conta ele que quando Córax cobrou de Tísias os honorários pelas aulas ministradas este retrucou: “Córax, se você me ensinou bem devo estar em condições de te persuadir a não aceitar os honorários, se eu não for capaz disso é porque você me ensinou mal, então não te sou devedor de nada”. O próprio mestre cai na armadilha que ele havia ensinado ao aluno armar para outros.
Depois desses surgem as figuras de Platão e Aristóteles. O primeiro ficou conhecido na história da retórica sobretudo pelas criticas que fez a esta em seu diálogo Górgias. Górgias é o famoso sofista da antiguidade que se vangloriava dizendo que podia persuadir alguém de alguma coisa e do contrário dessa coisa. Por exemplo, dizia ele que podia persuadir alguém de que o ouro é amarelo e de que não é amarelo. Dizia também que se em um debate ele e um médico disputassem para ver quem entendia mais de medicina ele sairia vitorioso.
A critica mais dura de Platão se dirige a esse poder falar de tudo. O retor pode persuadir alguém de algo, mas ele sabe sobre o que está falando? Ele fala da verdade, da beleza, mas ele sabe o que é a verdade, o que é a beleza? Para Platão o retor engana-se a si mesmo. No caso do debate entre o retor e o médico, Platão diz que, de fato, o retor pode persuadir o auditório de que ele entende mais de medicina que um médico, mas ele poderia fazer isso por muito tempo? Caso alguém precisasse de seus serviços como médico logo ele seria desmascarado pelos erros cometidos.
Para Platão a retórica é a arte da mentira, da ignorância. Essa postura vai lhe valer as criticas de seu mais conhecido discípulo: Aristóteles.
Aristóteles define a retórica como “a arte de persuadir”, sendo que persuadir é levar alguém a crer
Aristóteles vai sistematizar a ciência retórica e mostrar seu real valor. Ele dizia existirem três tipos de provas discursivas: as que residiam no caráter moral do orador (o ethos), as que se pautavam nos sentimentos que o orador despertava em seu auditório (o pathos) e os argumentos propriamente ditos (o logos).
Aristóteles também diferenciou três tipos de gêneros retóricos, conforme o publico alvo e o tempo em relação ao qual o discurso se pautava. Havia, assim, o gênero jurídico, que era dirigido aos juízes, e referia a fatos passados. O gênero deliberativo, o atual discurso político, que era dirigido aos cidadãos, e se referia a acontecimentos futuros. O gênero epidíctico, o discurso dirigido a todos os cidadãos, discurso de caráter poético, situado no presente, seriam os atuais discursos proferidos no dia da independência, no dia de Tiradentes, enfim, nas datas comemorativas de um modo geral. Segundo Perelman e Olbrechts-Tyteca esse tipo de discurso não serve para persuadir a curto prazo, mas para deixar o auditório mais receptivo aos argumentos de outros discursos.
Depois de Aristóteles os latinos Cícero e Quintiliano darão continuidade ao projeto retórico, mas não acrescentarão novidades. Pascal, muitos séculos depois também se reportará aos estudos retóricos para embasar sua filosofia.
Apenas em 1958 outro teórico irá reformular os escritos de Aristóteles, não se desvencilhando de tudo, mas dando novo corpo à teoria. Estamos nos referindo a Perelman e Olbrechts-Tyteca.
A primeira quebra desses autores com a teoria retórica antiga consiste em não aceitar os discursos retóricos como se referindo apenas aos discursos orais proferidos diante de uma multidão. O auditório não se constitui mais apenas de um grande publico, pode ser uma única pessoa o interlocutor. Auditório se torna sinônimo de destinatário. Se alguém estiver falando ou escrevendo apenas para uma pessoa essa pessoa será seu auditório e a pessoa que fala ou escreve o orador. Nos casos em que a pessoa fala consigo mesma, sempre usa de argumentos para se convencer, ela será então o orador e o auditório.
O auditório não é uma pessoa, mas uma abstração. Não é quem o orador tem a sua frente quando fala ou que ele chama pelo nome, não necessariamente. Quando um político concede uma entrevista para um jornalista podemos dizer que o auditório se constitui mais pelos leitores do jornal que pelo jornalista propriamente dito, porque é a eles que o político deve satisfação, e é neles que ele deverá estar pensando quando falar ao jornalista.
A Análise do Discurso se apropriou desses estudos retóricos a partir de diversas problemáticas. Hoje os estudos sobre o ethos se concentram sobretudo nas figuras de Dominique Maingueneau e Ruth Amossy. Christian Plantin desenvolveu diversos estudos argumentativos que levam em conta as correntes pragmáticas (as leis do discurso, a teoria dos atos de fala, as questões relativas a enunciação etc.). Oswald Ducrot e Jean Claude- Anscombre, a partir dos trabalhos sobre pressuposição, desenvolveram a tão discutida teoria da Argumentação na língua. Patrick Charaudeau trabalha bastante essas questões a partir do que ele chama estratégias de discurso.
É antes de mais nada por essa diversidade, porque podemos ir do mais elementar ao mais complexo, por causa de sua implicação no cotidiano e no ensino e porque podemos dar liberdade de escolha aos membros do Núcleo, e também porque é uma das tendências mais estudas atualmente, que escolhemos como segundo projeto do NEAD, esse mais longo que o primeiro, sobre os fundamentos da Análise do Discurso, pesquisar os diversos usos da argumentação.
Caetité, 03 de junho de 2008/ Encontro do NEAD.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Spiritus Mundi

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

sábado, 12 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Conversa diária
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
Dia de sol, dia de praia
domingo, 18 de setembro de 2011

domingo, 24 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011
Sempre achei que Valeria à pena

sábado, 16 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
"Italiano é bonito, alemão é feio"
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Histórias

quarta-feira, 8 de junho de 2011

domingo, 29 de maio de 2011
"Quem entre nós vai se matar? Quem vai enlouquecer?"

quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011

O sonho precede a existência

quinta-feira, 31 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Minhas generalizações
sábado, 26 de março de 2011
Amor e Paixão

quarta-feira, 23 de março de 2011
Texto incompleto...

domingo, 20 de março de 2011
Outono

quarta-feira, 16 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

sábado, 5 de março de 2011
A mudança é o princípio que rege a vida humana. Amamos pessoas diferentes, pois criamos gostos diferentes, aprendemos coisas novas a cada dia, e a partir de então já não somos os mesmos.
Nosso DNA é o argumento por excelência: cada um é metade do seu pai e metade de sua mãe, mas não somos nenhum dos dois por completo, pois a vida trata de colocar algo de nós em nossa digital (que aliás não é a mesma de nossos pais) e de fazer com que nossos filhos lembrem apenas que "algo dos meus pais está em mim": os antepassados e os ancestrais são esquecidos, relegados a uma importância insignificante, ou pior, a algo que não significa, já que iniciamos o processo de anulação de algo que não seja o "eu", ici et là.
"Como pude pensar assim"? É o que ainda me pergunto quando vejo um texto que escrevi ontem, e é como perguntarei amanhã quando vir o que escrevi hoje.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Mudança







